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Prémios Carrinho 2010

Os Prémios Carrinho destinam-se a distinguir os melhores defesas de 2010. Os nomeados são Maicon, Piqué e Lúcio.


Prémio Carrinho de Bronze: Piqué

Gerard Pique - Netherlands v Spain: 2010 FIFA World Cup Final

É o central tipicamente moderno: alto e rápido ao mesmo tempo e com elevada técnica. Piqué teve um ano de grande afirmação. É um dos maiores portadores da mística do Barcelona, um dos que mais entrega dá ao jogo. Simultaneamente, demonstra um técnica bem acima da média num central, basta lembrar o golo que marcou ao Inter em Camp Nou. Companheiro de Puyol no eixo da defesa, aprendeu muito com o histórico do Barcelona, mas pode dizer-se pelo que se viu este ano que já em nada fica a dever ao capitão dos catalães. Na selecção espanhola foi um muro que impediu alguns dos avançados mais letais do mundo de chegarem até Casillas. Não se pense, por fim, que com tantas características de outras posições que não a de defesa lhe faltam as qualidades para este sector. Gerard Piqué é dono de uma agressividade que, dentro dos limites, não deixa os adversários respirar com a bola.


Prémio Carrinho de Prata: Lúcio

Lucio of Inter Milan and his family celebrate their team's victory at the end of the UEFA Champions League Final match between FC Bayern Muenchen and Inter Milan at the Estadio Santiago Bernabeu on May 22, 2010 in Madrid, Spain.

Mais um caso que renasceu completamente com José Mourinho. O central do Inter vinha do Bayern como dispensado e, segundo a imprensa, mais capaz de ganhar uns meses um salário alto do que em jogar a um nível condizente. Pois bem, Mourinho não deve ter gostado disto, nem o internacional brasileiro que realizou uma grande temporada, formando com Samuel uma dupla intransponível. A diferença para o companheiro de sector eram as saídas de Lúcio para o ataque, criando sempre desequilíbrios, dotadas de grande ímpeto. Como se não bastasse, Lúcio chegou a Milão, viu e venceu, logo no primeiro ano. E, como não podia deixar de ser de acordo com o seu carácter, tornou-se um dos "chefões" e uma das vozes de Mourinho no campo. O Mundial será certamente algo que Lúcio está apostado em fazer esquecer rapidamente, mas que não mancha o grande ano do central.


Prémio Carrinho de Ouro: Maicon

Maicon of Inter Milan celebrates his team's victory at the end of the UEFA Champions League Final match between FC Bayern Muenchen and Inter Milan at the Estadio Santiago Bernabeu on May 22, 2010 in Madrid, Spain.

Aparentemente até podem surgir algumas dúvidas se devíamos colocar Maicon neste prémio ou no de médios ou avançados. É que o lateral do Inter de Milão empresta uma tal profundidade ao flanco direito dos nerazurri que na grande maioria dos casos assemelha-se a um extremo. Para ajudar a tudo isso tem uma grande predisposição física na hora de encarar o jogo. Por esta descrição pensará certamente, caro leitor, que Maicon é mais um lateral brasileiro: ataca muito e defende quase nada. Errado. O defesa trabalhou esse rigor táctico este ano. Aprimorou os tempos de ataque e de defesa e sabe agora, melhor do que ninguém quando o deve fazer. Esse foi um acrescento essencial que o transformou num jogador muito completo para a sua posição e que faz dele, a juntar a todas as conquistas, um justo vencedor deste prémio.

Prémios Visão 2010

O "Prémio Visão" destina-se a distinguir os melhores médios de 2010 no futebol Mundial. Os nomeados são Xavi, Iniesta e Sneijder.


Prémio Visão de Bronze: Xavi

Xavi Hernandez - Netherlands v Spain: 2010 FIFA World Cup Final

É um daqueles jogadores que todos os treinadores gostavam de ver no campo a pautar o jogo da sua equipa. Muito inteligente na gestão dos timings de passe e com uma precisão do mesmo capaz de colocar a bola em locais impensáveis. Xavi Hernández facilita, de facto, muito a vida aos atacantes quer da Espanha, quer do Barcelona. E por falar nestas duas equipas, o médio foi um dos comandantes de ambas. Chefiou a "Fúria" até à final, com a sua experiência que nunca parece tornar-se velhice e liderou o Barcelona num ano que internamente foi (quase) perfeito. Pena seja que apenas quando já ultrapassa os trinta é que tenha chegado a este patamar de notoriedade relativamente a qualidades que sempre teve.


Prémio Visão de Prata: Sneijder


Ano quase perfeito para o pensador do jogo do Inter de Milão. Mourinho foi buscar o holandês à lista de dispensados do Real Madrid por um preço simbólico para aquilo que o 10 viria a render. Wesley Sneijder era o jogador que Mourinho precisava para acrescentar à equipa e o holandês não desiludiu e entrou a todo o gás. Passes magistrais, remates fantásticos com os dois pés, livres de génio. De tudo Sneijder deu ao Inter, de tal forma que se tornou uma das figuras de todas as conquistas milanesas. 2010 foi, então, um ano muito proveitoso para o médio: uma Liga dos Campeões, uma Taça de Itália, um campeonato de Itália...mas não só. Ainda sobraram forças - e mestria - ao "maestro" para comandar a orquestra holandesa no Mundial rumo a uma não muito esperada - pela opinião pública - presença na final. Este poderia ter sido um ano perfeito para o médio do Inter, não foi, mas andou bem lá perto...


Prémio Visão de Ouro: Iniesta


Ano de grande destaque para o "taka" do Barcelona e da selecção espanhola. O médio tornou-se um herói nacional ao apontar o golo que serviu para derrotar a Holanda na final do Mundial 2010. É daqueles jogadores que trata a bola por tu e que parece jogar com chuteiras de veludo. A par de Xavi foi um elemento cintilante no Mundial e no Barcelona, contudo, na parte final da temporada, sobressaiu-se ao companheiro de terreno e de equipa. É claramente talhado para os grandes jogos e isso faz dele um jogador ainda mais admirável. A alma que coloca em campo não parece ser conciliável, na teoria, com tamanha mestria. Puro dos enganos: Iniesta está um degrau acima do excelente e consegue juntar coração, técnica e inteligência em apenas dois pés. O melhor médio de 2010.

Prémios Chuteira 2010

Os "Prémios Chuteira" avaliam os melhores avançados de 2010 seguindo os mesmos critérios dos restantes prémios quanto ao modo de eleição. Os nomeados são Diego Milito, Diego Forlán e Lionel Messi


Prémio Chuteira de Bronze: Diego Forlán


Diego Forlán é um dos principais responsáveis pela carreira surpreendente do Uruguai no Mundial, mas não só. Deve-se, em muito também, ao letal ponta-de-lança a conquista da Liga Europa por parte do Atlético de Madrid, contribuindo com golos e mais golos, decisivos a maioria deles. O uruguaio não hesitou em aparecer nos momentos mais delicados da equipa "colchonera" para resolver os jogos, as eliminatórias e os títulos. Se na primeira metade da temporada, o Atlético se encontrava em lugares "vergonhosos", a culpa não era certamente sua. Agora a culpa é quase toda sua se o Atlético terminou a prova numa posição bem mais respeitável. A juntar a isto tudo, e depois de uma época muito longa, o jogador chegou ao Mundial 2010 com frescura física para carregar o Uruguai às costas e apontar cinco golos na prova, os mesmos do melhor marcador Thomas Mueller. É um avançado com uma classe técnica e um instinto pela baliza como não se vê muito.


Prémio Chuteira de Prata: Diego Milito


Diego Milito é quase uma obrigação nesta lista. O avançado do Inter foi figura de proa nas conquistas milanesas. Basta dizer que marcou em todas as finais nas quais os nerazurri estiveram, contribuindo para a conquista das mesmas. Mas não só. Não podemos reduzir a acção deste ponta-de-lança completo a acções feitas nas finais. Também no caminho para elas, Milito foi igualmente importante - recorde-se, por exemplo, o jogo com o Barcelona em San Siro. No início da temporada, olhando para o plantel do Inter, seria de esperar que Milito fosse um fiel servidor de Eto'o. Nunca se esperaria, por certo, que no final da temporada, lembrássemos Eto'o como o leal assistente de Milito. Ora, quem consegue pôr um ponta-de-lança como Eto'o na sombra, só por aí, dificilmente não mereceria esta distinção.



Prémio Chuteira de Ouro: Lionel Messi


É certo que o Mundial não correu de feição e que na Liga dos Campeões, o Barcelona ficou-se "somente" pelas meias-finais, mas "Leo" Messi tinha de estar aqui, nesta mesma posição. Aquilo que faz pelo futebol, mas essencialmente aquilo que faz ao futebol, trazem cada vez mais adeptos à modalidade e aos estádios. O argentino é capaz de incendiar o caos nas áreas adversárias e fez uma época fantástica, ofuscando a estreia de Cristiano Ronaldo no campeonato espanhol com uma temporada absolutamente brilhante. De resto, foi quase impossível criticar o jogador. É que além da técnica que é sobrenatural, Messi demonstra em cada jogo que participa, um espírito competitivo e uma inteligência táctica anormais num jogador com as suas características. E Messi ainda conseguiu acrescentar uma característica ao seu jogo: a capacidade de jogar no meio do ataque. Para quem já tanto tinha...

Prémios Sobretudo 2010

O "Prémio Sobretudo" destina-se a distinguir o Melhor Treinador do Ano, numa eleição feita pela administração do "Negócios do Futebol". Os nomeados são: José Mourinho, Vicente Del Bosque e Josep Guardiola. Eis a atribuição do "Prémio Sobretudo".


Prémio Sobretudo de Bronze: Josep Guardiola



Até pode "apenas" ter conseguido a Liga Espanhola, ultrapassando os 100 pontos (!), mas, para além de todos os recordes que bateu, especialmente a nível interno, Guardiola manteve o futebol muito atractivo que transformou o Barcelona numa das melhores equipas de todos os tempos. Numa temporada em que se suspeitava sobre o regresso do Real Madrid ao caminho dos títulos, Guardiola, com a calma que lhe é característica, segurou os rivais, vencendo-os, de resto, nos dois jogos nos quais se defrontaram. Na Liga dos Campeões estava a fazer um percurso imaculado até encontrar José Mourinho. O treinador português leu bem o jogo "culé" e os hábitos de Guardiola e anulou a equipa catalã. Já este ano, os dois voltaram a defrontar-se e o treinador do Barcelona mostrou que não cai duas vezes no mesmo erro, humilhando o eterno rival com uma vitória por 5-0.

Prémio Sobretudo de Prata: Vicente Del Bosque


É o principal responsável pelo expoente máximo do poderio da selecção espanhola. Vicente Del Bosque foi um treinador acima de tudo inteligente. Não perdeu as lições de Aragonés, bem cimentadas na "Fúria" e deu-lhe um toque pessoal. Preparou-se da melhor forma para o Mundial, obrigando os jogadores a lidar com o estatuto de "favoritos". Da melhor forma. Retirou de cada jogador o que de melhor ele tinha e chegou com naturalidade, até, à final. Nela não se deixou contagiar pelo estilo de futebol pouco holandês...da Holanda e mostrou que, a haver justiça, a Espanha sairia da África do Sul com o ceptro mundial em seu poder. E se a equipa até nem começou muito bem o Mundial, o que levantou algumas críticas quanto à postura espanhola, a verdade é que terminou-o em beleza e Del Bosque sempre agiu como se tudo aquilo fosse planeado.


Prémio Sobretudo de Ouro: José Mourinho


O "Senhor 2010". Conquistou um fantástico "triplete", inferiorizando o valor dos adversários internamente. José Mourinho tornou o que parecia complicado bem mais fácil do que parecia. Vendeu Ibrahimovic ao Barcelona. Em troca recebeu 50 milhões de euros e o passe de Samuel Eto'o, que vinha catalogado com fama de irreverente e indisciplinado tacticamente. Ora, Mourinho transformou o camaronês até em lateral e foi incrível verificar o rigor e a predisposição com que o ponta-de-lança desempenhava essa função. Se tinha algo de irreverente ou indisciplinado, no balneário de San Siro isso nunca foi visível, obra e graça de "Lo Speziale". Aliás, foi também óbvia a lealdade dos jogadores do Inter para com Mourinho. O português criou uma relação muito forte com todos os elementos do clube e deles retirava tudo o que queria sem que o seu nível de jogo sofresse alterações. Na final da Liga dos Campeões defrontou o "mestre" Van Gaal e deu mostras de nunca ter perdido o controle do jogo, marcando quando se impunha que o fizesse e apelando ao coração quando assim era necessário. É, por isso, na nossa opinião, merecedor de um "Sobretudo de Ouro 2010".

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