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Princípios específicos e o centro do jogo

Olá a todos. Estive ausente por algum tempo, mas nos próximos dias prometo relevar artigos interessantes aos leitores. Como todos sabem, ou deviam saber, sou responsável pela escrita "táctica" no Negócios do Futebol, e espero que gostem do meu trabalho.

Este artigo visa estudar os princípios específicos no centro do jogo e fora do mesmo, e posso mesmo salientar que serve de introdução para uma série de artigos relacionados com o tema: Princípios específicos e o centro do jogo. Os princípios específicos são oito. Quatro são defensivos e quatro são ofensivos, e são principios que regem o comportamento dos jogadores nas variadas situações de jogo: Penetração, Contenção, Cobertura Defensiva, Cobertura Ofensiva, Mobilidade, Equilíbrio, Concentração e Espaço.


Tanto os princípios específicos e até mesmo os gerais são trabalhados pelos jogadores dentro e fora do centro do jogo. Ambos os princípios são cumpridos, ou deviam ser, por todos os jogadores no campo e não só os que entram directamente nas situações do jogo. Mas, como?

Através dos Princípios específicos fora do centro do jogo:
  • Os jogadores que não participam directamente nas acções do jogo devem procurar desorganizar a equipa adversária de forma insistente:
  • Em processo ofensivo: efectuando deslocamentos rápidos e imprevisíveis, em largura e profundidade, aumentando o espaço que o adversário tem de fechar, além de explorar novos espaços por onde a bola possa correr;
  • Em processo defensivo: efectuando deslocamentos que cortem linhas de passe e que obriguem o adversário a preocupar-se com a baliza e não só com o ataque;
  • Em ambos os processos: procurar criar situações de vantagem numérica.
  • Manter a estabilidade e organização da equipa, através da ocupação racional dos espaços em função dos adversários que desempenham papeis mais preponderantes defensivos e ofensivos, evitando a todo custo o estiramento da equipa;

  • Seja pelo deslocamento do jogador ao centro do jogo ou vice-versa, o futebolista deve estar sempre pronto para intervir no centro de jogo.


Independentemente das circunstâncias que determinam a intervenção dum jogador no centro do jogo, esse deve sempre transmitir confiança e segurança aos companheiros, cumprir insistentemente os princípios específicos e procure criar superioridade numérica em termos espaciais e temporais.

Ainda o jogo de apresentação

Caros amigos,

Após uma breve discussão sobre o jogo de apresentação da equipa leonina, venho aqui deixar a minha opinião sobre um dos golos sofridos pelo Sporting.

Antes de mais nada, existem dois tipos de treinadores de bancada: os que olham para o jogo e veem faltas sobre faltas, exigem disciplina, jogo rápido e por vezes demasiado técnico e se a equipa está a perder há sempre alguém que tem culpa. Se a equipa estiver a ganhar, há sempre defeitos na equipa para alguns. São capazes de não aceitar o trabalho dos jogadores em campo com facilidade. Já o que lê o jogo vê a organização da equipa, a estratégia, vê o adversário e muitas coisas que não estão aos olhos de todos pois exigem conhecimento e atribuem culpas ao trabalho da equipa, porque. Uma situação de 1x1 não é so um contra o outro. A bola pode muito bem percorrer 2 metros em dois segundos e variar de infindáveis situações para além das 1x1, além da "tática" nessas situações.

Falo do primeiro golo:



Minuto 1 e 41 segundos

Como já ouvi diversas opiniões, a mais usual é: a culpa é do guarda-redes porque a área pequena é dele.
De quem? Do Patrício?

Atribuo as culpas ao rapaz por último. 




O que eu vi no lance do golo:


Lançamento, a bola não toca em ninguém, o jogador cabeceia, é golo e a equipa da casa está a perder. 



Depois de rever o lance, o que tenho a dizer:


Lançamento em que a trajetória da bola é praticamente paralela à linha de fundo: podendo definir como um cruzamento, cruzamentos da linha de fundo ou perto dela são mais difíceis de intercetar pelos jogadores, porque a atenção destes dever ser dividida entre jogador adversário e trajetória da bola. Só por isso já houve uma falha no defesa leonino em frente ao guarda-redes.

A bola não toca em ninguém Pois não toca, mas o defesa da casa bem tenta chegar a ela. No momento da impulsão do salto o jogador da casa têm um braço do adversário no seu braço, que dá ideia de ser impedido de saltar. E o salto não foi grande coisa. Duvido que este lance fosse regular. Acontece que de qualquer forma não conseguiu saltar bem e que não impediu a bola de continuar o trajeto. E até não ia muito alta.

O adversário cabeceia. Se repararem, entre este avançado e o guarda-redes, está um jogador. Estão os três em linha. Esse jogador está de costas para o avançado e o guarda-redes nem o vê porque têm a visão tapada ou semi-tapada e ainda está com a atenção na bola. Quando se faz à bola, nota-se bem que não estava à espera da antecipação do avançado, até que tentou agarrar a bola mais a frente. O avançado veio lançado de trás e antecipou-se muito bem. Quem não se antecipou foi o defesa. Percebeu que não estava sozinho, ao mesmo tempo que percebeu que a bola não tinha sido cortada. Meio segundo e duas análises do jogador foi suficiente para falhar. Acredito que se a sua análise e reação fosse mais rápida na situação em que a bola não foi cortada, antecipava-se ao avançado de certeza.

Resumindo: 


O Patrício vê a bola passar por um porque alguma razão não saltou bem, não vê um jogador que vinha nas costas do defesa, o defesa de frente para a baliza demorou muito tempo a reagir, o adversário ainda se antecipa vindo das costas do defesa centrado na bola e o guarda-redes ainda têm de estar concentrado e com visão e leitura para quatro homens, além de estar com voz de comando para dois deles. 


E agora eu pergunto: 

A culpa é do guarda-redes apenas porque a área mais pequena é dele? A culpa é só dele após isto tudo? 


Meus amigos, não me façam delirar, por amor de deus.

Alguns comportamentos referência

Jose Mourinho Jose Mourinho coach of Inter Milan talks with his team during practice at the Rose Bowl stadium on July 20, 2009 in Pasadena, California.

A partir do meu amigo Luís Esteves, aprendi conceitos novos aplicados no futebol que, a meio duma conversa "táctica", podem não ser compreendidos. De que falo neste artigo:
  • Jogo frente/costas;
  • Jogo entre linhas;
  • Infiltrações e Ultrapassagens;
  • Mudança de direcção com e sem bola;
  • Criação de linhas diagonais;
  • Cuidado com o tipo de passe, condução e domínio da bola;
  • Timing;
  • Ritmo da bola

Jogo frente/costas
Ao receber nas costas, um jogador pode servir de apoio para quem está na frente, dar velocidade à acção e evitar a perda de bola, apenas porque o seu olhar está direccionado para a baliza. Faz parte deste conceito os deslocamentos em ruptura, em que o jogador recebe a bola nas costas para seguir rapidamente em frente.


Jogo entre linhas
Define-se pela movimentação dos jogadores para um sector ou uma linha mais adiantada ou atrasada em relação com a linha ou sector ocupado originalmente por esse jogador, criando superioridade numérica na zona da bola. É um conceito aplicado para fazer um jogador descer no terreno e ocupar as costas dos marcadores, que estão ocupados nas suas funções com outros jogadores.

Infiltrações e Ultrapassagens
Também se chama de homem surpresa e concebe-se pela entrada de um jogador na zona de acção para receber a bola em situação de finalização, vindo ou não do mesmo sector.


Mudança de direcção com e sem bola
É conceito de fácil compreensão, em que o jogador, seja com bola ou sem bola, muda a direcção habitual para evitar padrões de jogo e causar a indefinição da previsibilidade da equipa pelo adversário.


Criação de Linhas diagonais
É uma das funções dos extremos. O seu movimento de progressão permite receber uma bola numa zona mais adiantada do terreno, para procurar o golo ou a assistência. Procura também evitar bolas paralelas, que impedem a progressão do jogador. É importante verificar de existe pressão adversária em determinado espaço e se dá ou não para entrar nesse espaço.


Cuidado com o tipo de passe, condução e domínio da bola pelo jogador
A bola deve ser rapidamente recebida, de preferência no pé dominante e de frente. O controlo da bola e a condução da mesma também são características importantes. Tudo isso é fundamental para a visualização do espaço pelo jogador.


Timing
É importantíssimo escolher o melhor momento para realizar cada acção. Quando se deve movimentar, o melhor momento para passar, onde esperar pela bola ou até mesmo na técnica. Qualquer diferença, mesmo por um segundo, é suficiente para errar a acção.


Ritmo da bola
É essencial manter a bola em movimento. Como o adversário, não tendo a posse, concentra o seu olhar na mesma, se a bola parar o adversário pode procurar os espaços que deve fechar.

Este artigo foi escrito em especial para Negócios do Futebol, por Valter Correia

Métodos de jogo defensivo

Após escrever acerca um artigo relacionado com os métodos ofensivos, vou agora tratar dos métodos defensivos. Os métodos defensivos têm por principal missão a realização de dois objectivos fundamentais: a defesa da baliza e a recuperação da posse da bola.



Existem quatro pressupostos fundamentais:
A partir destes quatro métodos defensivos fundamentais, temos as formas como são organizados:
Deixo apenas os títulos de cada método defensivo com as respectivas hiperligações. Toda a informação num só lugar equivale a uma página demasiado carregada e lenta.

Métodos de jogo ofensivo

Em tudo existe padrões, geralmente baseados em dois extremos. No futebol também. Ou se ataca ou se defende, ou se marca ou se sofre, ou se ganha ou se perde, ou se têm a bola ou não têm.

Por isso, podemos compreender que existem métodos defensivos e ofensivos, e formas destes serem trabalhados. Este artigo trata apenas dos métodos ofensivos, e o próximo será sobre os métodos defensivos. Os métodos ofensivos definem a forma de como a equipa que têm a posse de bola se organiza no campo, e como trabalha objectivando a finalização/progressão e a manutenção da posse da bola. Existem cinco métodos ofensivos:
Claro está, que existem formas de organizar estes métodos. Umas mais simples e outras mais complexas. Se por um lado o risco de perder a bola é maior mas a progressão à baliza contrária é rápida, por outro lado a progressão é mais lenta mas mais segura. Vejamos:
Tenho todo gosto em tentar mostrar a todos o que sei e julgo saber, através do Negócios do Futebol.

Princípios específicos de jogo



Muito se ouve falar por aí sobre princípios de jogo e etc. Mas é certo que nem todos sabem quais são eles.

Sabiam que um dos princípios de jogo que o Barcelona usa como princípio-chave, se assim pudermos dizer, chama-se penetração? Através do passe ou progressão, o Barcelona vai seguindo em frente no terreno, e, através da qualidade da equipa nestas duas formas de penetrar no adversário, as coberturas tornam-se indefinidas? Nessa equipa, poucos jogadores de servem do drible ou da finta sob o adversário, evitando perder a bola. Preferem valorizar a sua posse e tentar progredir pelo chão com a bola corrida entre jogadores. Evitam confrontos directos várias vezes.

Servem-se também do passe para trás, para o companheiro seguir em frente com a bola enquanto toda a equipa segue em bloco e desmarcada, empurrando a equipa adversária para trás. É outra forma de como a equipa cumpre esse princípio maravilhosamente. Devido ao elevado teor técnico desse princípio, muitos crêem o Barcelona como muito forte. Apenas têm um modelo que, ofensivamente, explora bem os pontos fracos defensivos e ofensivos dos adversários. Mas vejamos quais são os princípios. Posso dizer que existe um modelo de como é explicado cada princípio, com situações entre um e quatro jogadores. Já vamos ver isso, e claro, deixo sempre um link aprofundando cada princípio, para não escrever um post excessivamente grande. Os princípios ofensivos são: Penetração, Cobertura Ofensiva, Mobilidade e Espaço. Os defensivos são: Contenção, Cobertura defensiva, Equilíbrio e Concentração São princípios ou conjunto de regras que regem parte do comportamento dos jogadores. Vejamos:



Imaginemos um jogador na posse de bola. Têm duas opções: ou procura espaço para progredir com a bola, ou remata. Este é o primeiro princípio de ataque: a penetração. Em resposta, a equipa defensora deve fechar a linha de remate e o espaço para progredir. O primeiro princípio de defesa chama-se contenção. Os riscos são maiores para quem defendo do que para quem ataca. Por isso, a equipa defensora vai acrescentar um jogador um segundo defesa, caso o primeiro seja ultrapassado. Chama-se cobertura defensiva.

A equipa que ataca, fica assim em desvantagem numérica, e portanto precisa de ser restabelecida a igualdade. No segundo princípio de ataque, a cobertura ofensiva, junta-se um segundo atacante. Esta situação de 2x2 é, na teoria, menos vantajosa para a equipa atacante. Portanto, o segundo atacante afasta-se do portador da bola de forma a liberta-lo da cobertura defensiva, tentando refazer a situação de 1x1. Caso o segundo defensor não o acompanhe, está criada uma linha de passe de forma a criar uma situação de 1x0. Este é o terceiro princípio de ataque. Chama-se mobilidade. Entre estas duas alternativas, compete à defesa optar pela menos perigosa. O segundo defesa deve acompanhar o segundo atacante, criando situações de 1x1. Este princípio de defesa chama-se equilíbrio.



Resumindo, o ataque tem o objectivo de tornar o jogo mais aberto, com maior profundidade e largura de jogo, de forma a obrigar o adversário a flutuar, criando-se assim linhas de passe ou dificultar a equipa contrária a criar situações de desvantagem numérica. O quarto princípio de ataque é o espaço.

Por fim, o quarto princípio de defesa, denomina-se concentração. A defesa deve diminuir o espaço e amplitude de jogo, obrigando assim o adversário a jogar em pequenos espaços, facilitando a cobertura defensiva e criando situações de vantagem numérica com mais facilidade. Podem servir-se do link em cada nome do princípio para compreenderem melhor o que significa cada um. Espero que todos compreendam melhor o que vai na cabeça dos treinadores e que gostem do que apresento aqui para todos vocês.

Momentos de jogo



"Os princípios de jogo e os sub princípios de jogo são comportamentos e padrões de comportamento que o treinador quer que sejam revelados pelos seus jogadores e pela sua equipa nos diferentes momentos do jogo.

Esses comportamentos e padrões de comportamento quando articulados e entre si evidenciam um padrão de comportamento ainda maior, ou seja, uma identidade de equipa ao qual denominamos de organização funcional. "

Guilherme Oliveira, 2003

Desmontando um universo do Modelo de jogo, temos os momentos de jogo, São as transições defensiva e ofensiva, e os momentos ofensivos e defensivos. Vejamos:



Na transição ofensiva ou defesa-ataque:


No momento que recuperamos a posse de bola, o objectivo principal é aproveitar a desorganização adversária e tentar avançar rapidamente ao golo. Caso não seja possível, passa a ser objectivo retirar a bola da zona de pressão. Estas são as duas soluções que a equipa pode tomar quando recupera a bola. Dependendo do posicionamento adversário e da própria equipa, a equipa vai escolher entre seguir com a bola ou se a vai manter.

Quanto ao momento ofensivo ou organização ofensiva:

Com a posse de bola, o objectivo é marcar golos. Assim, torna-se importante criar muitas situações para o fazer. É importante usar bem o espaço e o tempo em relação à equipa e ao adversário, ou seja, o grupo deve ter um bom jogo posicional e boa técnica no passe, adquirindo então velocidade na circulação da bola. Como se processa este momento? A partir de quatro fases: construção, preparação da criação, criação de situações e finalização.



Mais um momento é transição defensiva ou transição ataque-defesa:

A partir do momento em que a equipa perde a posse de bola, o objectivo é organizar-se defensivamente e rapidamente, fazendo assim o campo curto e impedindo o adversário de criar situações ou possibilidades de golo. É fundamental, para dar tempo à transição, condicionar imediatamente a acção do portador da bola do adversário. Frequentemente recorre-se à falta para matar tentativas de contra-ataque do adversário.

Temos ainda um último momento de jogo. Organização defensiva ou momento defensivo:

Quando a equipa está sem a posse de bola, o objectivo principal é evitar golos ou situações que possam dar em golo contra a equipa. Tal e qual como na organização ofensiva, é fulcral usar o espaço e o tempo em relação aos companheiros e adversários. Sem esquecer, a equipa deve ter um bom posicionamento defensivo, formando um bloco compacto com linhas muito juntas. Muitas vezes, a equipa serve-se duma zona de pressing alta, de forma a recuperar a bola mais perto da baliza adversária.

Estes são, resumidamente, os 4 momentos de jogo. Momentos ofensivo e defensivo, e transições defensiva e ofensiva. Não é algo muito difícil de perceber. Olhando para um jogo de futebol, distingue-se facilmente os vários momentos.

Texto de Valter Correia, autor do blogue Teoria do Futebol, para o Negócios do Futebol

Rinaudo, o novo Duscher



Como é claro um vídeo não mostra tudo. Mas é certo que há um aspecto que o rapaz é perito: desarme. Seja por trás ou por rasteira, o miúdo consegue recuperar muitas bolas, quase nunca faz falta e ainda sai a jogar, seja pelo chão ou passe curto e médio, mesmo depois de rasteirar. Impressionante. Para quem não sabe, são duas qualidades dum trinco ideal. Desarme sem falta e sair a jogar através do chão e do passe (como indica o primeiro princípio de ataque).

Desarme sem falta não há muito para dizer. O rapaz entra de qualquer lado, focado na bola. Os desarmes são forçados, mas não são muito perigosos. Pode acontecer que alguém saia magoada, mas numa partida de futebol há sempre lesões.

Recuperar a bola não há muito que se lhe diga. A qualidade nesse aspecto é excelente. Mas depois de desarmar o adversário, o que fazer com a bola?



A solução mais fácil é: valorizar a sua posse. Logo após o desarme, um jogador pode retirar imediatamente a bola da zona de pressão, passando para trás por exemplo, impedindo de a voltar a perder. Rinaudo também o faz, como qualquer um. Mas logo após o desarme, muitas vezes sai a jogar. Para quem joga atrás, é um factor a juntar para o jogo colectivo. E como faz ele isso? O primeiro princípio de ataque, a penetração, diz-nos que há duas maneiras de seguir com a bola: através do passe ou em drible. Reparem no vídeo. O segundo defesa pode estar a fazer a cobertura defensiva perto ou longe do local do desarme, e por vezes, Rinaudo não sai a jogar pelo espaço no campo. No geral, a cobertura defensiva deve ser feita com o segundo defesa perto do primeiro, caso o atacante seja extremamente técnico, ou longe do primeiro defesa, caso o atacante seja hábil no passe. Existem mais factores em relação à cobertura, mas só estou a analisar estes dois. Voltando ao assunto, podemos reparar que, por vezes, o agora jogador verde e branco, tanto sai pelo passe com cobertura perto como sai pelo chão com a cobertura longe. Ou seja, a cobertura adversária está indefinida, causando alguma desorganização no seio da equipa, e permitindo à equipa atacante avançar no terreno mais facilmente.

Existem mais pormenores que podem reparar no vídeo. O jogador não corre muito com a bola. Têm bom controlo com a bola, mas se a tem nos pés, não entra muito em situações de 1x1, em que o adversário está demasiado perto. A visão de jogo está aliada à qualidade de passe. Não é um distribuidor de jogo, nem nada por ai além Escusado será o treinador fazer dessa função, uma das funções dele. No plantel actual do Sporting, têm jogadores para isso, sem ser preciso arriscar em demasia. De qualquer forma, este atleta passa bem, sempre com passes simples, e por vezes levanta a cabeça e tenta passes mais difíceis para as costas da defesa. Também o faz, que nesse vídeo existem jogadores desmarcados em ruptura a receberem bolas dele. Gosto da imprevisibilidade dele.



Raramente segue em frente em demasia e perde a bola, evitando que a equipa perca a posse de bola. Tecnicamente, ao nível da finta e do drible, não parece nada por ai além. Mas na sua posição não está em primeiro plano. O controlo de bola é bom, isso sim. Segura bem a bola. A garra a cada lance que disputa é interessante. É um jogador de garra, como o próprio disse na apresentação. É um jogador para jogar fixo atrás dos médios centro. Como sai a jogar rapidamente e de duas maneiras diferentes, a equipa pode muito bem lançar rapidamente um contra-ataque. Além disso, a equipa contrária terá certamente a sua cobertura indefinida indefinida. Se o segundo defesa está muito perto, ele passa. Se está muito longe, segue em frente, embora os lances não sejam sempre desse género.

A nível cognitivo, decide rapidamente cada lance. Podemos até observar, a partir do tempo 2:15, que o jogador passa por três ou quatro. O que está em causa não é o seu drible, mas reparem que a cada adversário ultrapassado, prepara-se para seguir em frente e já não se foca tanto no jogador que deixou ficar.

Será certamente um excelente reforço para o plantel. Em breve fará parte dos mais amados pelos sportinguistas.

Texto de Valter Correia, autor do blogue Teoria do Futebol, para o Negócios do Futebol

A relação entre a tática e a técnica

Da mesma maneira que o todo e as partes são mais fortes havendo uma correlação entre si, a técnica e a tática também podem ser usadas em conjunto em prol do coletivo.

Durante uma partida de futebol, o primeiro problema que o jogador enfrenta têm natureza tática. Em primeiro lugar, deve saber o que fazer, para depois resolver os problemas propostos durante o jogo selecionando e colocando em prática, respostas motoras que sejam adequadas ao problema em questão.


A importância da decisão faz parte do nível mais elevado. Através duma leitura completa e correta, o jogador pode tomar a decisão correta, dependendo da experiência do atleta, embora esse não seja o único fator. Os atletas devem possuir, em larga escala, recursos específicos para que o atleta realize uma ação fundamentada na decisão. Esses recursos designam-se por técnica e fazem parte deles o passe, o drible, o remate, o cabeceamento, o desarme, e outros exemplos.

A capacidade tática do jogador está sobre a técnica, pois, durante uma partida, os fatores de execução técnica são sempre determinados por um contexto tático. Isto quer dizer que, a partir da técnica, o jogador aplica os conceitos táticos, servindo assim a inteligência e a decisão do jogador e da sua equipa.

Na prática, a tática e a técnica são indissociáveis, pois as habilidades técnicas do atleta estão relacionadas com a leitura e a decisão desse atleta.

Podemos então concluir que, durante uma partida de futebol, o importante é saber gerir as regras de funcionamento e os princípios, ao invés de usar um esquema tático rígido e determinado anteriormente, além de regras táticas gerais que não se adaptam ou que não se adaptam tão bem às situações que surgem durante essa partida.

Este artigo foi escrito por Valter Correia, autor no Negócios do futebol e no blog associado: Teoria do Futebol

Abraço,

Princípios gerais, operacionais e fundamentais

Existem regras e conjuntos de regras que regem e fundamentam o comportamento táctico dos jogadores. Definem-se princípios e podemos falar de três tipos diferentes de princípios: gerais, operacionais e fundamentais. Vejamos:

Princípios Gerais:



Estes princípios têm este nome porque são comuns aos princípios fundamentais e operacionais. além das diferentes fases do jogo. O assunto a tratar destes princípios é o espaço ocupado pelos jogadores e adversários, e estão focados em três premissas:

-Não permitir a inferioridade numérica;
-Evitar a igualdade numérica;
-Procurar criar a superioridade numérica.

Resumidamente, é disto que se trata quando se ouve falar em princípios gerais. Vou aprofundar um pouco melhor este assunto, mas de momento é sobre os três géneros de princípios que descrevi que estou a escrever.

Princípios operacionais:



São regras ou leis tácticas, ou melhor dizendo, operações para as situações que de sucedem no decorrer do jogo. Estão relacionados com a atitude dos jogadores nas fases de defesa e de ataque. O que "controlam" eles?

Na defesa:

- Anular as situações de finalização;
- Recuperar a bola;
- Impedir a progressão do adversário;
- Proteger a baliza;
- Reduzir o espaço do adversário.
No ataque:

- Conservar a bola;
- Construir acções ofensivas;
- Progredir pelo campo de jogo do adversário;
- Criar situações de finalização;
- Finalizar.


Princípios fundamentais:



Também se podem chamar de princípios específicos. São oito ao todo, ou seja, quatro de defesa e quatro de ataque:

No ataque:

- Penetração;
- Cobertura ofensiva;
- Mobilidade;
- Espaço.
E na defesa:

- Contenção;
- Cobertura defensiva;
- Equilíbrio;
- Concentração.


Mais informações disponíveis no blogue associado Teoria do Futebol

Como elaborar relatórios de jogo

Olá a todos. A partir de hoje, semanalmente, será publicado no vosso blog preferido, crónicas, reflexões e postagens devidamente fundamentadas num único tema: futebol. O tema aqui tratado, em geral, é o futebol. Isso é claro. Mas o que vai ser tratado será algo que não está ao alcance de qualquer um: "a táctica". Quem são os melhores jogadores e que este joga melhor aqui ou ali ou o outro é forte e finta bem não diz nada sobre tática. Novos artigos sobre o assunto estão para chegar. Enquanto isso, façam apostas de desporto online.

Começando então:
Quem joga FM, e usa um membro da equipa técnica para fazer um relatório sobre o adversário do jogo que se segue, esse relatório é muito simples e repetitivo: "ter atenção com o jogador tal", " o passe é curto longo ou misto", "provavelmente jogam em 4-4-2" e assim coisas do género. Isso praticamente não diz nada sobre um adversário. Existem métodos específicos de avaliar os adversários. Já alguém ouviu falar do famoso relatório de André Vilas-Boas sobre o Newcastle, ao serviço do Chelsea, enquanto trabalhava com José Mourinho? Se não, está em baixo. Mas primeiro passo a explicar como se elabora um verdadeiro relatório sobre um adversário, que vai muito além dos jogos de computador (que tem erros tácticos).



Estes relatórios são feitos para estudar os pontos fortes e fracos do adversário e assim preparar a equipa durante a semana para o jogo que se segue. É muito importante entrar em campo capaz de prever como o adversário vai jogar, estando assim um passo em frente para a vitória no final do jogo.

Primeiro procura-se saber em que condições vamos jogar. Temos de reparar no clima, de como está o relvado, saber quais são os jogadores contra quem vamos jogar, incluindo os seus números, qual o plantel inicial mais frequente ou habitual e suplentes. Também nos interessa conhecer as características desses jogadores, sejam físicas, técnicas ou tácticas.

Depois vamos analisar o comportamento dessa equipa durante o jogo. Para fazer um bom relatório de uma equipa, observar 4 ou 5 jogos para tirar excelentes conclusões sobre os padrões da equipa por exemplo, é o ideal. Começamos por estudar a estrutura da equipa. Vemos como os jogadores estão distribuídos pelo campo, e, ao longo do jogo, como essa equipa se comporta, no que se trata de organização posicional. Simplificadamente, só um exemplo: começa o jogo e o adversário está a jogar em 4x3x3. Mais um bocado e repara-se que está a jogar em 4-4-2. Observo o segundo jogo e vejo as mesmas alterações. À partida está aqui um padrão do adversário, que, a certa altura do jogo, muda de distribuição pelo campo e preparou-se durante a semana para isso. Mas é só um exemplo.

Além da estrutura da equipa, também temos de estudar o comportamento dessa equipa nos quatro momentos de jogo. Por exemplo, durante a organização defensiva, vamos observar se fazem pressão alta ou baixo, de defendem à zona ou homem a homem, a atitude, os comportamentos defensivos, como ocupam o espaço, etc. Estudar bem os pontos fracos durante este momento é importante, mas de qualquer forma os outros três momentos também são de especial importância.



Outro momento para analisar é o momento ofensivo. Vamos olhar para o adversário e perceber como passam a bola, construindo o jogo, os jogadores de referência, quais os padrões da equipa a jogar no espaço, etc. Saber como o adversário ataca é meio caminho andado para defender bem.

Continuando o estudo, podemos tratar da transição ofensiva. Podemos perfeitamente perceber se, quando a equipa ganha a posse de bola, parte rápido para o ataque ou se a vai valorizar. Também podemos ver quais são os primeiros jogadores de referência, que bem marcados, a equipa já não sai tão bem a jogar. Geralmente várias equipas atrasam até ao guarda-redes, ganham tempo, organizam-se e o guarda-redes devolve, curto ou longo. Também é um aspecto a ter em conta.

O quarto momento defensivo que podemos estudar, é a transição defensiva. A ocupação racional do espaço é fundamental. Perceber onde o adversário ocupa mal os espaços é o ideal para saber em que zona podemos trabalhar a posse de bola. Podemos aproveitar os erros de posicionamento para criar boas situações. Falo também dos espaços deixados pelo adversário quando perde a bola, principalmente se demorarem a ser fechados. Ou até da forma como são fechados. Há equipas que recorrem a faltas tácticas, e podemos usar isso a nosso favor. Junto à área, de frente para a baliza, é uma excelente zona do campo para marcar um bom livre directo.



Além dos quatro momentos de jogo, ainda temos uma coisa a ter em conta. E ainda agora falei nela. Quando falo de livres, falo de bolas paradas. Nas bolas paradas contra o adversário, podemos ver quantos homens colocam na barreira, isto se num caso de ser livre directo ou não, dependendo de onde é marcado. Também vemos se os jogadores dessa barreira saltam. Atrás da barreira, também devemos estudar quantos jogadores defendem, e como defendem.

Nas bolas paradas a favor do adversário, devemos estudar a movimentação nos lançamentos laterais, nos livres e nos cantos. Nunca perder de vista os jogadores que servem como referência. E ainda como referência, a zona do campo para onde efectuam passes ou tentam rematar.

Apesar deste relatório já ser algo velhote, vale sempre a pena recordar o trabalho dos portugueses lá fora, que distinguem e glorificam Portugal. Usem este link para acederem ao relatório, dado o seu tamanho e, proporcionalmente, valor. Podem também fazer aposta online.
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